Meu vazio companheiro
- Ana Bueno

- 6 de jan. de 2021
- 1 min de leitura

Não sei se isso é possível mas eu acho que me apaixonei pela morte. Pensar no momento em que eu poderia sentir meu coração palpitar pela última vez me deixava feliz, eu a queria a todo o momento, eu precisava sentir a calma que imaginei mais de mil vezes no fechar do caixão.
Eu não me perdi completamente porque parei de confiar nos meus amigos, eu me vi perdida desde o momento em que senti que tinha perdido o controle da minha vida, por todas as decisões que me levaram a decidir entre eu e alguém, das vezes em que meu estresse revelou uma parte de mim que até então não conhecia, do dia em que percebi que a vida de todo mundo obrigatoriamente está entrelaçada em outras vidas e consequentemente nas decisões de outras pessoas.
No começo eu sentia medo de largar tudo, e me privar de viver uma vida que poderia ter dado certo, me surpreendi quando percebi que tudo deixou de fazer sentido, doía em mim o fato de acordar, respirar e sentir meu coração bater, as vezes o impulso de rejeitar a vida falava mais alto que a consciência, e eu me vi mais perto da morte do que da vida pulsava dentro de mim.
Agora eu estou em busca da alegria, estou procurando ela minuciosamente em cada canto da minha casa, em cada corda do violão, em cada esquina, em cada passo e a cada suspiro, eu tô lutando contra o impulso gigante que me faz querer desistir e agora mais que nunca, eu busco renascer de novo.



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